Com o aparelho em mãos, apontado para o imediato, é feito mal-feito, feio, bonito - preenche e é vago; 
que não procura espaço - já tem, o vídeo agora se faz ver - se faz. 

Experimentação que não termina. Baixa resolução, sujeira que fica da tecnologia precária e deslumbrante, erros, passeios, tentativas e resultados. A imagem em movimento captura os instantes de um mundo em transe. A entidade por trás da tela se faz presente no manuseio; o ruído é o sangue da matéria, 
e somos vídeo, 
registros afetivos e pornografias, 
somos poesia, 
filmes e documentos.
 
Resoluções fantásticas. High definition, paisagem digital, músicas estimulantes, indiferença fotográfica. 
As provocações políticas e o júbilo dos efeitos; poluímos o mundo para protegê-lo e capturá-lo, e o vídeo é fronteira que dissolve espaços e esculpe e cospe, agride e pinta, comenta, ama e humilha. 

Produções díspares, de diferentes complexidades estéticas e artísticas, dialogam entre si e celebram a realização do fazer audiovisual. Esse é o Festivau de c4nn3$. 
Com essa conexão (de videoarte, curtas e longas metragens, registros caseiros e as demais outras proposições não-categorizáveis) e com a suspensão da hierarquia entre os trabalhos, a mostra gera um ambiente cuja pluralidade estética anuncia a força criativa da produção audiovisual contemporânea.

O Festivau de C4nn3$ surgiu no Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre, em 2015, e circulou por diferentes espaços e diferentes cidades. Suas edições passaram por Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Córdoba (Argentina) em formatos independentes entre si, sempre promovendo o espaço de reflexão e de encontro entre 
videoartistas
artistas independentes
simpatizantes
artistas consagrados
iniciantes
e pessoas aleatórias, 
como nós.